O cenário político de Sorocaba foi abalado nesta quinta-feira (6) após decisão da Justiça Federal que determinou o afastamento por 180 dias do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos). A medida é resultado de investigação da Polícia Federal, que apura supostas irregularidades e desvios de recursos públicos em contratos da área da saúde.
Durante a operação, agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão em diferentes endereços, incluindo a Prefeitura de Sorocaba e residências de empresários ligados a Organizações Sociais (OSs) contratadas pelo município.
“Dia histórico para Sorocaba”, diz vereador Raul Marcelo (PSOL)
O vereador Raul Marcelo (PSOL), que vem denunciando há meses supostas irregularidades na área da saúde, classificou o afastamento como “um dia histórico para a política sorocabana”.
“Ter um prefeito afastado por indícios de corrupção é algo muito sério. A Polícia Federal apura que só na UPA do Éden houve contratos que somam R$ 123 milhões, com suspeita de que 40% desse valor tenha sido pago em propina”, afirmou o parlamentar.
Raul Marcelo defendeu ainda a abertura de uma CPI na Câmara Municipal para investigar os contratos da saúde.
“O afastamento do prefeito cria um ambiente mais favorável para investigação sem interferências. Faltam apenas duas assinaturas para que a CPI seja aberta. Vamos retomar o movimento para apurar tudo e passar a saúde de Sorocaba a limpo”, completou.
Iara Bernardi: “Avisos não faltaram”
A vereadora Iara Bernardi (PT) lembrou que, ao longo dos últimos anos, a oposição apresentou diversas denúncias sobre a gestão municipal.
“Minha mãe dizia: ‘não foi falta de aviso’. E não foi. Denunciamos inúmeras vezes desvios na saúde e na educação. São áreas essenciais, e desviar dinheiro disso é condenar vidas”, afirmou.
Iara criticou a postura da Câmara, que, segundo ela, “se omitiu da função de fiscalizar”.
“Nunca assinaram CPIs para investigar. Sempre houve desculpas: que o caso já estava no Ministério Público, na Justiça... Agora, quem sabe, os vereadores se atentem à sua principal tarefa, que é cuidar do dinheiro público”, concluiu.
Vereador Roberto Freitas defende cautela e continuidade administrativa
O vereador Roberto Freitas (PL) avaliou o afastamento como “um momento delicado para a cidade” e defendeu equilíbrio.
“Não podemos ter julgamentos precipitados. É um processo judicial e o prefeito tem direito à defesa. O afastamento é grave, mas a cidade precisa continuar”, afirmou.
Freitas destacou que o PL já assinou o pedido de CPI e reforçou o papel fiscalizador da Câmara.
“Somos a favor da transparência. A CPI é um instrumento legítimo. Nosso papel é fiscalizar o Executivo, independentemente de quem esteja no poder”, disse.
Fernanda Garcia: “Resultado de denúncias e fiscalização constante”
A vereadora Fernanda Garcia (PSOL) afirmou que o afastamento é consequência das inúmeras denúncias apresentadas pela oposição.
“Há três anos o prefeito tem as contas bloqueadas. As suspeitas de superfaturamento em contratos de saúde são graves. Se não houvesse materialidade, ele não teria sido afastado”, afirmou.
Ela também defendeu a instalação imediata de uma CPI para apurar os contratos da saúde, destacando que “faltam apenas duas assinaturas” para sua abertura.
“A base do prefeito ainda é forte, mas cabe à sociedade cobrar. É hora de investigar tudo e colaborar com a Polícia Federal”, pontuou.
Vereadores da base aliada do prefeito Rodrigo Manga, procurados pelo Portal RMS NEWS para falar sobre o afastamento do chefe do executivo, não quiseram se pronunciar sobre o assunto.
Vice-prefeito assume e promete estabilidade
Com o afastamento, o vice-prefeito Fernando (sem partido) deve assumir o comando do Executivo. Os vereadores ouvidos esperam que ele traga estabilidade e moralização à administração.
“Fernando é um empresário respeitado e não está envolvido nas investigações. A expectativa é que ele coloque ordem na casa e garanta transparência na gestão”, afirmou Raul Marcelo.
Cenário político incerto
Embora o prefeito afastado possa recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), os parlamentares acreditam que o retorno ao cargo é improvável.
“O afastamento foi determinado por desembargadores federais. É uma decisão fundamentada e difícil de reverter”, avaliou Raul Marcelo.
Enquanto a Justiça segue com as investigações, Sorocaba enfrenta mais um capítulo turbulento de sua história política recente, com o desafio de restabelecer a confiança nas instituições e na gestão pública.
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