Durante a inauguração das novas instalações do CIESP Sorocaba, na manhã desta sexta-feira (14), lideranças industriais reforçaram que o setor mantém confiança no ambiente econômico da cidade, mesmo diante da crise política causada pelo afastamento do prefeito Rodrigo Manga.
O evento reuniu a diretoria regional, representantes estaduais da entidade, empresários, imprensa e autoridades públicas. Entre elas estavam Rafael Cervone, presidente estadual do CIESP; Nelson Cancellara, presidente do Parque Tecnológico de Sorocaba, que representou oficialmente o prefeito em exercício Fernando Martins; e o presidente da Câmara Municipal, vereador Pastor Luis Santos.
O diretor titular Erly Syllos, vice-presidente estadual eleito do CIESP, afirmou que a indústria conquistou maturidade institucional suficiente para enfrentar cenários de turbulência sem perda de investimentos. “Hoje há segurança mesmo em períodos de instabilidade. A relação com o poder público é institucional. Sai um prefeito, entra o vice; sai o vice, há diálogo com a Câmara. Isso garante previsibilidade ao empresariado”, declarou.
Syllos destacou que Sorocaba segue batendo recordes recentes de novos aportes industriais e que a crise política “não gerou impacto significativo” nos investimentos locais.

Tarifaço dos EUA teve impacto limitado em Sorocaba
O setor de autopeças sofreu mais, especialmente empresas ligadas à cadeia produtiva da Toyota. “Para elas, o impacto foi significativo. Mas, no conjunto do parque industrial da região, foi limitado”, explicou.
Outro tema central da coletiva foi a dificuldade de atrair jovens para profissões industriais, especialmente em áreas técnicas como soldagem, caldeiraria e metalurgia.
“O filho do pedreiro não quer mais ser pedreiro. O jovem não quer meter a mão na massa”, disse Syllos. Segundo ele, muitos profissionais com salários próximos de R$ 4 mil deixam empregos formais para atuar em aplicativos de transporte e entrega, atraídos por ganhos imediatos, apesar da ausência de proteção trabalhista.
Além da migração, a transição tecnológica da Indústria 4.0 exige conhecimento em IA, TI e sistemas integrados — especializações ainda carentes no mercado regional. “É um desafio mundial, e Sorocaba não está fora disso”, destacou.
Como resposta ao descompasso entre vagas e profissionais, o Senai ampliou sua oferta e criou o Mapa do Emprego, ferramenta que identifica demandas reais do mercado e ajusta cursos em tempo real.
O 1º vice-diretor do CIESP Sorocaba, Afonso Teixeira, ressaltou que o problema muitas vezes é de conexão entre vagas e candidatos. “Às vezes o problema é só o link. Agora estamos usando tecnologia para aproximar”, afirmou.
Apesar do avanço, o déficit de mão de obra qualificada segue alto.
O CIESP apresentou oficialmente sua nova diretoria regional, que assume a partir de janeiro:
Rodrigo Figueiredo – Diretor titular
Afonso Carlos Dias Teixeira – 1º vice-diretor
Valdir Paezani – 2º vice-diretor
Figueiredo destacou a relevância econômica da regional de Sorocaba, que abrange 49 municípios e responde por aproximadamente R$ 100 bilhões do PIB paulista. Ele também elogiou o trabalho de Syllos, cujo modelo de desenvolvimento regional se tornou piloto para um acordo com o governo estadual.
O presidente estadual do CIESP, Rafael Cervone, apresentou o plano de desenvolvimento industrial paulista para as próximas cinco décadas — um projeto apartidário, pensado para sobreviver a mudanças de governo.
O NJE (Núcleo de Jovens Empreendedores) foi destacado como celeiro de novas lideranças: todos os três novos vice-presidentes vieram da base jovem.
Cervone também comentou negociações recentes entre Brasil e Estados Unidos para reverter o tarifaço americano.
Ele contou que esteve em Washington há 45 dias, em reuniões com o Departamento de Comércio, Departamento de Estado, USA, congressistas e entidades norte-americanas. O ambiente, segundo ele, era inicialmente “hostil e travado”.